
Dwi Pada Viparita Dandasana
Para alguns, aprender o nome das posturas, como o da foto acima, é um preciosismo, uma inutilidade…afinal, por que aprender uma informação tão específica em uma língua que caiu em desuso?
E não são poucos aqueles que compartilham esse ponto de vista! Se você é professor, certamente já deve ter respondido mais de uma vez essa questão básica.
Vou começar por uma pergunta: se estivéssemos ensinando volei, não teríamos que explicar o que é saque, cortada, manchete? Se fosse futebol, não escaparíamos da explicação do que é impedimento ou falta? Por que deveríamos entrar em uma aula de yoga esperando não ter que aprender algum vocabulário novo?
Nesse ponto, geralmente, o aluno retruca: “Ah! Mas é em uma língua que nunca vou usar…para que eu vou aprender isso?”
Poderíamos, como alternativa, usar os termos aportuguesados: “Vamos agora fazer a postura do cachorro olhando para baixo em seguida a postura da meia lua.” E por que não o fazemos?
Porque o não conhecimento da nomenclatura das posturas originais seria um empobrecimento do aprendizado…em vários sentidos.
Razões para aprender o nome das posturas originais
- Memorizando o nome das posturas, o aluno permite ao professor uma agilidade maior no desenrolar da sua aula, sem ter que interrompê-la inúmeras vezes para mostrar cada asana.
- O conhecimento da nomenclatura permite ao professor uma riqueza maior nas variações individuais das posturas. Muitas vezes, há a necessidade de alunos, simultaneamente dentro da mesma aula, estarem executando posturas diferentes. A facilidade de se fazer isso quando os alunos sabem o nome das posturas é indiscutivelmente maior.
- A mente do aluno se expande com um novo conhecimento (ainda mais tão incomum e diferente como o sânscrito!). Concordo totalmente com uma frase postada há pouco tempo no Facebook, a qual afirma que ao expandirmos nossa mente por meio de novos conhecimentos ela não torna à dimensão antiga, mas alarga suas fronteiras. Expansão de corpo e mente são objetivos do Yoga e devem ser cultivados em todas as oportunidades.
- O aluno exercita sua memória quando, ao retornar às aulas, deve se recordar do que lhe foi ensinado, somente ao ouvir o nome da postura.
- Pode-se praticar em qualquer lugar do mundo sem dificuldade. Se você viaja muito e frequenta centros de Iyengar Yoga em lugares variados, você verá que Trikonasana na Alemanha, na França ou na Índia soa basicamente da mesma forma. O nome das posturas é universal.
- O som do nome das posturas em sânscrito preparam a mente para o que vem em seguida de forma adequada. Ao falar “cachorro olhando para baixo” eu posso muito facilmente pensar no meu labrador Tchuco se espreguiçando, posso pensar no cachorro do vizinho que latiu a noite…as associações são infinitas pela proximidade e a inevitável familiaridade com o meu vocabulário habitual cotidiano. Agora, quando eu digo Adho Mukha Svanasana minha mente entende somente uma única coisa, percorre todas as ramificações cognitivas relativas a esse assunto específico e se prepara para o asana.
- “Last but not least“, o último da nossa lista, o mais abstrato, porém fundamental: a influência do som em si sobre a mente através da pronúncia do nome original do asana atua de maneira similar aos efeitos dos mantras. A pronúncia das palavras e mantras em sânscrito acrescenta às ideias representadas potências bastante sutis, complexas e subjetivas.
Finalmente, como em todo e qualquer processo ativo de aprendizado, se por um lado, o professor deve mostrar a riqueza da tradição do Yoga, o aluno deve estar aberto e sedento pelos novos ensinamentos.
Sem preconceitos ou preguiça mental…dos dois lados.
P.S.: Em português, Dwi Pada significa ambos os pés. Viparita significa invertido. Danda, um bastão ou vara. A postura é uma forma de prostração diante de Deus.