Conversávamos outro dia, uma amiga e eu, sobre o livro “Em Busca do Tempo Perdido” e sobre como é tomar uma obra mais extensa, às vezes, para nos fazer companhia durante um longo período.
Confesso que sinto um certo desconforto, que poderia ser comparado até a um mini luto, quando encerro tais relacionamentos prolongados. Porém, como todo luto deveria, esse, invariavelmente, se transforma em gratidão pela experiência da leitura vivida.
O consolo é que, sempre quando eu quiser, posso retornar à minha estante em busca da companhia perdida, embora jamais consiga repetir a vivência da primeira leitura.
E durante nossa breve conversa, me lembrei do fantástico livro “José e seus irmãos” de Thomas Mann.
Há uns dois anos, uma outra querida amiga me indicou este livro que me fez excelente companhia durante um bom tempo.
Apesar de ter por tema uma história bíblica conhecida (a saga de Esaú e Jacó, o manto de Raquel, o Egito…), o autor transforma toda essa dinâmica em um romance psicológico de qualidade ímpar. Inveja, dúvidas sobre a fé, cobiça, luxúria, injustiça, ganância, amor…tudo está lá.
Leia o livro e observe como José buscou a sabedoria decifrando as dificuldades de seu caminho, embasado na sua confiança em um plano divino maior, e as tornando, sem exceção, fontes riquíssimas de aprendizado. Partindo de uma jornada de auto-conhecimento profunda, tornou-se acessível a ele uma compreensão mais clara da natureza e do divino. Não nos soa familiar?






