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Gratidão e luto

novembro 1st, 2011 | Posted by Ana Toledo in Sem categoria

Esta não é uma época alegre. A tendência é que sejam dias de recolhimento, lembranças e sentimentos antigos e revividos…trabalho do luto. É a memória do tempo daqueles que já fizeram parte de nossas vidas e não seguem mais junto a nós. Por mais dolorosos que, às vezes, esses dias possam ser, eles são absolutamente necessários.

Reproduzo abaixo um maravilhoso trecho do livro “Pequeno Tratado das Grandes Virtudes” de André Comte-Sponville, não sobre o pesar, mas sobre o trabalho do luto como sendo, na verdade, o trabalho da gratidão.

Reflita…

A gratidão não anula o luto, consuma-o: “É necessário curar os infortúnios com a lembrança reconhecida do que perdemos, e pelo saber de que não é possível tornar não-consumado o que aconteceu. Pode haver formulação mais bela do trabalho do luto? Trata-se de aceitar o que é, portanto, também o que não é mais, e de amá-lo como tal, em sua verdade, em sua eternidade: trata-se de passar da dor atroz da perda à doçura da lembrança, do luto a consumar ao luto consumado (“a lembrança reconhecida do que perdemos”), da amputação à aceitação, do sofrimento à alegria, do amor dilacerado ao amor apaziguado. “Doce é a lembrança do amigo desaparecido”, dizia Epicuro – a gratidão é essa própria doçura, quando se torna alegre. No entanto, o sofrimento é mais forte primeiro: “Que terrível ele ter morrido!” Como poderíamos aceitar? Por isso o luto é necessário, por isso é difícil, por isso é doloroso. Mas a alegria retorna, apesar dos pesares. “Que bom ele ter vivido!” Trabalho do luto: trabalho da gratidão.

 

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