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abhinivesa – o apego à vida e o medo da morte

abril 10th, 2012 | Posted by Ana Toledo in Sem categoria

O apego à vida ou abhinivesa

Humanos que somos, o medo da morte ou o apego à vida (abhinivesa) são sensações tão inerentes à nossa natureza quanto a fome ou o sono. Instinto estabelecido de autopreservação, inato e consequência da ignorância suprema (avidya), segundo Patanjali (Yoga Sutras – Capítulo II).

Vontade de viver…

Se a vida é a manifestação da vontade em si, o medo da morte seria o medo da extinção do nosso suposto poder de realização, ainda exíguo e frágil que seja. O que mais nos causa temor do que a impotência?

Schopenhauer e a Vontade

Para enriquecer o pensamento, leia um texto que faz referência ao filósofo alemão Schopenhauer retirado do blog Biografias – vida e obra de personalidades. Sua ligação com o Hinduísmo e o Budismo fica clara após essa leitura.

Reparem que a “vontade” para ele é sinônimo da “coisa em si”, de essência daquilo que age ou que existe…fazendo um paralelo com o que estudamos, não poderíamos considerá-la análoga a purusa e não seria prakrti, assim, a materialização dessa vontade?

A Vontade

Para descobrir a “coisa em si”, Schopenhauer voltou sua atenção para o próprio homem, que também é uma coisa no universo. É verdade que o homem somente pode conhecer seu corpo como fenômeno, como aparência, segundo o tempo e o espaço e as categorias. Porém, voltando-se para o seu interior, já não precisa de tempo nem de espaço para sua consciência. Esta é atemporal e pontual. A vontade, por sua vez, representa o querer viver, é o querer realizar-se. A vontade é uma coisa em si mesma, irredutível a qualquer outra coisa, sem causa, independente do tempo e do espaço, e das categorias.

A vontade não se desloca e se extingue passando da coisa desejada para a coisa conquistada, a vontade quer sempre, é avassaladora, é sem sentido. Toda a vida é sofrimento porque é um constante querer eternamente insatisfeito, que leva ao amor, ao ódio, ao desejo ou à rejeição. Para Schopenhauer a Vontade estava presente no mundo como se fosse a própria alma do universo, e era a força total pela qual o mundo existia e se movia. Ele fez da vontade um ser à parte, que se manifestava em toda a natureza como o substrato de todas as coisas. A vida é a manifestação da vontade. Schopenhauer considera como materialização, realização em força ou materialização da vontade, todas as forças e objetos da natureza como a gravidade, o magnetismo, os instintos animais, as forças de reação química, etc.

Schopenhauer elimina Deus, e em seu lugar coloca uma “vontade universal” que é a força voraz e indomável da própria natureza. A vontade aqui nada tem a ver com a decisão racional por uma opção de agir, mas trata-se de um ser absoluto, essência primeira, a coisa em si, o noumeno, que é irredutível e gera todas as coisas deste mundo, Essa fome insaciável da Vontade faz o mundo anárquico e cruel. Essa vontade, que é também um substrato, a coisa em si, no homem, é responsável pelos seus apetites incontroláveis. Ao final o homem encontra a morte, o golpe fatal que recebe a vontade de viver, como se lhe fizesse a pergunta: Você já teve o bastante?

– blog Biografias

 

 

 

 

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