Não se assustem! O título acima não é de minha autoria.
Ele pertence ao artigo do jornal americano The New York Times, “How Yoga can wreck your body“, publicado em 05 de janeiro de 2012 e causador de grande polêmica na comunidade iogue mundial.
Segundo o artigo, os gurus que divulgaram com tanto entusiasmo as habilidades do Yoga em acalmar, fortalecer, equilibrar e até em curar falharam em não fazer menção aos potenciais efeitos prejudiciais da execução de asanas (posturas físicas). No artigo são mostrados dois ou três casos de alunos que se lesionaram durante as aulas e alguns dados tendenciosos. Dizer que as lesões ocorridas nas aulas de Yoga nos últimos anos aumentaram não é nada espantoso dado o enorme aumento de praticantes.
Inclusive, sobre o próprio BKS Iyengar, o jornalista cita, como exemplo, seu livro “Light on Yoga” onde ele ensina Sarvangasana (invertida sobre os ombros). No livro, Iyengar incentivaria a todos a praticar a postura flexionando o pescoço em um ângulo de 90 graus em relação ao tronco, fato que causaria lesões importantes na coluna cervical.
Afinal, o Yoga pode ser perigoso para seu corpo? Sim. Desde que mal ensinado e mal assimilado (e eu me pergunto: será que alguém não sabia disso ainda?)
Há professores que não estão preparados, que fazem formações em alguns fins de semana, que não aprofundam seus estudos e, inclusive, nem praticam. Ainda mais quando o mercado potencial é promissor e estúdios e academias, grandes e pequenos, contratam qualquer um para dar aulas de Yoga…até professores de Educação Física sem qualquer tipo de formação reconhecida no assunto.
Da mesma forma, há alunos que não ouvem o que é ensinado, que entram em competição com os demais da turma, que não respeitam seus limites na busca pela execução perfeita do asana e se comportam na aula como se estivessem fazendo uma aula de alongamento.
Sobre a questão de Iyengar não mencionar os perigos de Sarvangasana em seu livro, lembro que, como toda a tradição indiana, ao contrário do costume ocidental, a maior parte da transmissão do conhecimento é baseada na oralidade. Há décadas Sarvangasana é ensinada com suporte pelos professores certificados. De qualquer forma, Iyengar, no livro, indica a ação de levar o peito na direção do queixo e não o contrário…isso por si só alivia bastante a sobrecarga no pescoço pois obriga a ativação de braços, peitorais e costais no erguimento do tronco.
O processo cognitivo, segundo a própria filosofia indiana, se baseia em um tripé: o conhecimento, o conhecedor e o conhecer em si.
Julgar o valor de um conhecimento pelo conhecedor ou pelo ato de conhecer, embora seja uma atitude compreensível e natural, não é válida, para mim, como avaliação definitiva.
Lamento a significativa quantidade de pessoas que certamente se sentirá impelida a não procurar ou interromper as aula de Yoga por causa desse artigo.
E, para esses, deixo uma sugestão: pergunte a seu professor qual sua formação, qual o seu mestre e pesquise na Internet. Quando achar um professor estudioso que siga um mestre de excelente reputação, faça então a sua parte: respeite seus limites. A prática do Yoga é individual e exige sua total presença. Quanto mais evoluir, maior a sua presença será necessária.
Para outros artigos sobre o assunto, sugiro que acessem os links na nossa página Aulas de Yoga no Facebook.




